Homilias sobre o Evangelho de São Mateus
Noventa sermões pregados em Antioquia: o comentário grego mais influente de um Evangelho, e o mais duro sobre o uso do dinheiro.
João, apelidado “Crisóstomo” (“boca de ouro”), pregou esta série de noventa homilias em Antioquia, ainda como presbítero, por volta de 390 — antes, portanto, de ser arrastado para a cátedra episcopal de Constantinopla e para o exílio que lhe custaria a vida. É o mais extenso e mais citado comentário patrístico grego a um Evangelho, e foi um dos livros preferidos de São Tomás de Aquino.
Cada homilia percorre uma passagem de Mateus em duas partes: primeiro a explicação atenta do texto, versículo por versículo, resolvendo dificuldades e aparentes contradições; depois a aplicação moral à vida concreta da assembleia. É aqui que Crisóstomo se torna incômodo. Ele volta dezenas de vezes ao tema da esmola, da avareza, do luxo ostensivo e da riqueza mal adquirida, e lê o julgamento final de Mateus 25 como critério real de salvação. Na homilia 50, comentando a unção em Betânia, está a página mais famosa de toda a série:
“Queres honrar o corpo de Cristo? Não o desprezes quando está nu. Não o honres aqui, no templo, com vestes de seda, enquanto lá fora o deixas passar frio e nudez.” (Homilia 50 sobre Mateus)
O argumento é que o mesmo Senhor que disse “isto é o meu corpo” disse também “tive fome e não me destes de comer”: o altar da igreja e o pobre da rua são o mesmo Cristo. Já na abertura da série, Crisóstomo observa que o ideal seria não precisarmos de livro algum, tendo a graça do Espírito escrita no coração — mas, como vivemos longe disso, Deus nos deu as Escrituras por condescendência.
Na catequese, a obra sustenta a aula 18 (honestidade e uso dos bens) e a aula 26 (a caridade concreta e a doutrina social da Igreja).
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).