Quem é o Rico que Será Salvo?
O primeiro tratado cristão sobre a riqueza, comentando o jovem rico de Marcos 10: o problema não é possuir, é ser possuído.
Alexandria, por volta do ano 200, era um dos maiores portos comerciais do Império, e a comunidade cristã local incluía gente de posses. Muitos deles ouviam a frase sobre o camelo e o fundo da agulha e concluíam que estavam simplesmente perdidos. Clemente, mestre da escola catequética da cidade, escreveu esta homilia de quarenta e dois capítulos para responder a essa angústia sem suavizar o Evangelho.
O tratado é um comentário seguido do episódio do jovem rico (Mc 10,17-31). A tese central é que o Senhor não ordena um gesto meramente exterior, e sim a libertação interior: o que precisa ser jogado fora não é o dinheiro, mas o apego que o transforma em senhor. Riqueza é instrumento — nas mãos de quem sabe usá-la, serve à justiça; nas mãos de quem é escravo dela, faz o mal. Clemente observa que, se bastasse não ter nada, os mendigos e os filósofos cínicos já estariam salvos; e que, se todos se desfizessem de tudo, ninguém restaria para socorrer os pobres a quem o Senhor manda socorrer. A renúncia pedida é real, mas começa no coração e se prova nas obras.
“Que ninguém destrua, pois, as riquezas, mas antes as paixões da alma, que impedem o bom uso delas.” (cap. 14)
Nos capítulos finais, Clemente muda de tom e conta a história do apóstolo João e do jovem que se tornara chefe de bandoleiros: o velho apóstolo vai buscá-lo pessoalmente no covil e o traz de volta, prova de que nenhuma queda é definitiva enquanto houver arrependimento (cap. 42).
Na catequese, apoia a aula 18 (o sétimo e o décimo mandamentos, o uso dos bens e a esmola) e a aula 26 (doutrina social da Igreja e o destino universal dos bens).
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).