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Por volta de 386, Santo Ambrósio, bispo de Milão, escreveu para o clero da sua Igreja aquele que é o primeiro manual cristão de ética ministerial. O modelo declarado é o De officiis de Cícero, o clássico romano sobre os deveres do homem público — mas Ambrósio troca os heróis da República pelos justos da Escritura (Abraão, José, Davi, Jó, os Macabeus) e desloca o horizonte: os deveres já não se medem pela glória desta vida, e sim pela vida futura.

A obra tem três livros. O primeiro trata do que é honesto e decoroso, percorrendo as quatro virtudes cardeais e distinguindo os deveres comuns, que obrigam a todos pelos mandamentos, dos deveres perfeitos, próprios de quem segue os conselhos evangélicos. O segundo trata do que é útil, mostrando que nada é verdadeiramente útil senão o que é honesto. O terceiro confronta os dois casos difíceis em que utilidade e honestidade parecem colidir, e resolve sempre pela justiça.

Ambrósio escreve com humildade rara em um bispo tão poderoso, lembrando como foi arrancado do tribunal para o episcopado:

“Aconteceu-me começar a ensinar antes de ter começado a aprender.” (Livro I, cap. 1, n. 4)

E defende, contra críticos que o acusavam de sacrilégio, a decisão de fundir os vasos sagrados para resgatar prisioneiros de guerra:

“A Igreja tem ouro não para guardá-lo, mas para gastá-lo e socorrer os necessitados.” (Livro II, cap. 28, n. 137)

Na catequese, o texto ilumina a aula 20 (o sacramento da Ordem e a vida dos ministros) e a aula 26 (doutrina social: o destino universal dos bens e a primazia dos pobres).

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

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