A Prescrição contra os Hereges
O argumento decisivo da Igreja antiga: a Escritura pertence à Igreja, que recebeu a regra da fé dos Apóstolos.
Escrita em Cartago por volta do ano 200, esta é a obra-prima polêmica de Tertuliano, que era jurista de formação. O título vem do direito romano: a “prescrição” era uma objeção prévia que encerrava o processo antes mesmo de discutir o mérito. É exatamente o que ele faz com os hereges de seu tempo, sobretudo os gnósticos.
O argumento central: não adianta discutir versículos com os hereges, porque a Escritura não lhes pertence. A Bíblia é propriedade da Igreja, que recebeu a fé dos Apóstolos; os Apóstolos a receberam de Cristo; e Cristo, de Deus. A prova é visível na história: as igrejas fundadas pelos Apóstolos conservam a sucessão ininterrupta de seus bispos e professam a mesma regra da fé — o núcleo do que rezamos no Credo. As heresias, ao contrário, são novidades tardias, e a verdade precede o erro. Tertuliano ainda denuncia a raiz do problema: a curiosidade filosófica que quer “melhorar” o Evangelho misturando-o com as escolas pagãs.
“Que tem Atenas a ver com Jerusalém? Que acordo há entre a Academia e a Igreja?” (cap. 7)
“Nada saber contra a regra da fé é saber tudo.” (cap. 14)
Na catequese, é apoio direto da aula sobre Sagrada Tradição e Magistério: mostra que os critérios católicos — Escritura lida dentro da Tradição, sucessão apostólica, regra da fé — não são invenção medieval, mas o modo como a Igreja já se defendia no ano 200.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).