O Martírio de Perpétua e Felicidade
O diário de prisão de uma jovem mãe cartaginesa às vésperas da arena: o texto mais antigo escrito por uma cristã.
Em 7 de março de 203, no anfiteatro de Cartago, um grupo de catecúmenos foi entregue às feras durante a perseguição de Sétimo Severo. Entre eles estavam Vívia Perpétua, jovem de família nobre, com um filho ainda de peito, e sua escrava Felicidade, grávida de oito meses. O que torna este documento único é que o miolo dele foi escrito pela própria Perpétua na prisão: é o texto mais antigo que conservamos escrito por uma mulher cristã. Um editor testemunha ocular acrescentou a introdução, a visão do catequista Sáturo e o relato final da arena.
A cena inicial é o pai suplicando que ela renegue o nome de cristã. Perpétua aponta para um vaso no chão:
“Pode ele ser chamado por outro nome que não aquele que é? — Não. — Assim também eu não posso chamar-me outra coisa senão o que sou: cristã.” (cap. 1)
Seguem-se as visões: uma escada de bronze estreitíssima, cravejada de espadas e ganchos, com um dragão à base — quem sobe distraído se fere; no alto, um jardim e um pastor de cabelos brancos que lhe dá queijo. Depois, o irmão Dinócrates, morto aos sete anos, sofrendo e depois aliviado pela oração dela — página preciosa sobre a intercessão pelos falecidos. Por fim, ela se vê lutando contra um egípcio e entende que o combate real é contra o Maligno.
Felicidade dá à luz na prisão. Um carcereiro zomba de seus gemidos: se grita agora, como enfrentará as feras? Ela responde:
“Agora sou eu quem sofre o que sofro; mas ali haverá outro em mim, que sofrerá por mim, porque também eu vou sofrer por ele.” (cap. 15)
Na catequese, este relato sustenta a aula 28: a santidade não é abstração, mas rosto concreto de gente comum sustentada pela graça.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).