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Pouco depois dos fatos, por volta de 155-160, a Igreja de Esmirna escreveu à Igreja de Filomélio uma carta contando como morrera seu bispo, Policarpo — discípulo do apóstolo João e amigo de Santo Inácio de Antioquia. É o mais antigo relato de martírio cristão fora do Novo Testamento, e o documento que fixou o vocabulário e a espiritualidade do martírio para toda a Igreja.

O texto narra as perseguições em Esmirna, a firmeza de alguns e a queda de um voluntário imprudente, Quinto, que se apresentara sozinho e apostatou — daí a advertência da carta: não se deve provocar o martírio. Policarpo, ao contrário, retira-se para o campo, ora pelas Igrejas do mundo inteiro e só é preso depois de uma visão em que entende que será queimado vivo. Recebe os guardas com jantar farto e pede uma hora para rezar; reza duas.

No estádio, o procônsul insiste que ele jure pela fortuna de César e amaldiçoe Cristo. A resposta ficou como um dos textos mais citados da Antiguidade cristã:

“Há oitenta e seis anos eu o sirvo, e ele nunca me fez mal algum: como poderia eu blasfemar contra o meu Rei e meu Salvador?” (cap. 9)

A multidão pede fogo. Amarrado — sem pregos, porque pediu que o deixassem solto — Policarpo pronuncia uma oração de louvor eucarística, agradecendo por ser contado entre os mártires e beber o cálice de Cristo (cap. 14). Os irmãos recolhem depois seus ossos, tidos por mais preciosos que pedras raras, para celebrar todo ano o aniversário do seu martírio (caps. 17-18): é a mais antiga atestação do culto aos mártires e das relíquias. Toda a narrativa é construída como um “martírio segundo o Evangelho”, com paralelos deliberados à Paixão do Senhor.

Na catequese, o relato serve à aula 1 (por que vale a pena esta fé) e à aula 9 (o mistério pascal reproduzido na vida dos discípulos).

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

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