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Por volta do ano 180, Santo Irineu — bispo de Lyon, discípulo de São Policarpo, que por sua vez fora discípulo do apóstolo João — escreveu os cinco livros da Denúncia e refutação da falsa gnose, conhecidos como Contra as Heresias. A ocasião era concreta: seitas gnósticas circulavam pela Gália prometendo um conhecimento secreto reservado a poucos e negando que o Deus criador do mundo material fosse o mesmo Deus do Evangelho.

Os livros I e II descrevem e desmontam os sistemas gnósticos, sobretudo o de Valentim. Os livros III a V expõem a fé verdadeira. É aí que está o argumento decisivo: se os apóstolos tivessem ensinado algo secreto, o teriam confiado justamente àqueles a quem entregaram as Igrejas; logo, basta seguir a sucessão dos bispos para saber o que os apóstolos ensinaram. Irineu apresenta então a lista dos bispos de Roma desde Pedro e Paulo, afirmando que com essa Igreja, por sua origem mais excelente, toda Igreja deve concordar (III, 3, 2).

O livro III contém também a chave da mariologia patrística, a antítese Eva-Maria:

“O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; o que a virgem Eva atou pela incredulidade, a Virgem Maria desatou pela fé.” (III, 22, 4)

O livro IV desenvolve a unidade dos dois Testamentos e traz a frase mais citada de Irineu:

“A glória de Deus é o homem vivente, e a vida do homem é a visão de Deus.” (IV, 20, 7)

O livro V corona a obra com a “recapitulação”: Cristo, novo Adão, refaz em si toda a história humana, incluindo a carne, que ressuscitará.

Na catequese, sustenta a aula 4 (Tradição, sucessão apostólica e regra da fé) e a aula 25 (dogmas marianos, com a leitura de III, 22).

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

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