Epístola aos Romanos
A carta em que um bispo a caminho da morte suplica aos cristãos de Roma que não impeçam o seu martírio.
Por volta do ano 107, Inácio, terceiro bispo de Antioquia, foi condenado às feras e levado sob escolta para Roma. Pelo caminho escreveu sete cartas às Igrejas que o acolheram ou lhe enviaram delegações. Esta é a mais extraordinária das sete, e a única dirigida a uma comunidade que ele não conhecia — e o pedido que faz é o oposto do que qualquer condenado pediria. Os cristãos de Roma tinham influência e poderiam mover-se para livrá-lo da arena. Inácio escreve, com urgência quase desesperada, implorando que não façam nada.
O argumento não é desprezo pela vida, mas amor levado às últimas consequências: ele quer ser configurado inteiramente àquele que morreu por ele. Daí a imagem que ficou como o mais célebre autorretrato do martírio cristão:
“Sou trigo de Deus, e sou moído pelos dentes das feras, para que eu seja encontrado pão puro de Cristo.” (cap. 4)
A metáfora não é escolhida ao acaso: quem é levado ao anfiteatro por causa da Eucaristia descreve a própria morte em linguagem eucarística. E, no capítulo 6, dá a razão de tudo num par de frases que resumem a fé inteira:
“É melhor para mim morrer por Jesus Cristo do que reinar sobre os confins da terra. […] A ele busco, que morreu por nós; a ele desejo, que ressuscitou por nós.” (cap. 6)
A carta traz ainda a descrição sombria e bem-humorada da escolta — dez soldados que ele chama de “dez leopardos”, e que só pioram quando recebem algum benefício (cap. 5) — e a confissão “o meu amor foi crucificado” (cap. 7).
Na catequese, é o texto que mostra, sem retórica, o que significa amar Cristo mais do que a própria vida — e por que os primeiros cristãos chamavam o dia da morte de dies natalis, dia do nascimento. Use-o na aula 11 e sempre que for preciso mostrar que a fé cristã custou sangue real.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).