Epístola a Policarpo
Conselhos de um mártir a um futuro mártir: o pastor deve permanecer "firme como a bigorna sob os golpes" e cuidar de todos.
Das sete cartas autênticas de Santo Inácio de Antioquia, esta é a única dirigida a uma pessoa, e não a uma comunidade: São Policarpo, o jovem bispo de Esmirna, discípulo do apóstolo João, que décadas mais tarde morreria também mártir. Inácio a escreveu de Trôade, por volta do ano 107, pouco antes de embarcar para o martírio em Roma.
É um pequeno manual de pastoreio, ditado com a urgência de quem sabe que não voltará. Inácio aconselha Policarpo sobre seu ofício: suportar a todos com mansidão, orar sem cessar, pedir sabedoria maior que a que tem, não se deixar abalar pelos que ensinam doutrinas estranhas. Os conselhos descem ao concreto da vida da comunidade: não deixar as viúvas ao abandono, não tratar com soberba os escravos (nem permitir que eles se ensoberbeçam), exortar os casados a se amarem, realizar assembleias mais frequentes, conhecer os fiéis pelo nome.
“Cuida da unidade, pois nada há de melhor.” (cap. 1)
“Permanece firme como a bigorna sob os golpes. É próprio do grande atleta receber golpes e vencer.” (cap. 3)
A imagem do atleta e da bigorna tornou-se um dos retratos clássicos da firmeza cristã: o pastor não é aço que fere, mas bigorna que aguenta — e, aguentando, vence. Nos capítulos finais, Inácio pede que Esmirna envie um mensageiro à sua Igreja de Antioquia, órfã do bispo.
Na catequese, a carta apoia a aula 20: o que é o ministério ordenado, que responsabilidades o bispo carrega e como os estados de vida — celibato e matrimônio — devem ser vividos “para a honra do Senhor”, como ensina Inácio no cap. 5.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).