Acessar a obra ↗

Escrito em Roma, provavelmente entre 140 e 155 — o Fragmento Muratoriano diz que o autor era irmão do papa Pio I —, O Pastor de Hermas foi um dos livros mais lidos da Igreja antiga. Santo Irineu, Tertuliano e Orígenes o citam com respeito; alguns manuscritos bíblicos o traziam junto ao Novo Testamento. Não é Escritura, mas é uma janela rara sobre a vida de uma comunidade cristã comum, com seus ricos acomodados, seus negócios, suas famílias divididas — e sobre a angústia de quem pecou depois do Batismo.

A obra tem três partes: cinco Visões, doze Mandamentos e dez Similitudes (parábolas). Nas Visões, uma senhora idosa aparece a Hermas e depois se revela: é a Igreja, e é anciã porque “foi criada antes de todas as coisas, e por causa dela o mundo foi feito”. A cada aparição ela rejuvenesce, até surgir como jovem esposa — imagem do rejuvenescimento que a penitência opera. A grande alegoria é a da torre construída sobre as águas (o Batismo), feita de pedras: as bem talhadas encaixam-se; as rachadas, as redondas, as manchadas são postas de lado — e muitas ainda podem ser trabalhadas e reaproveitadas. Na quinta Visão aparece o Pastor, o anjo da penitência, que dita os Mandamentos e as Similitudes.

O primeiro Mandamento é uma das mais antigas profissões de fé cristãs fora do Novo Testamento:

“Antes de tudo, crê que há um só Deus, que criou e ordenou todas as coisas, e fez com que tudo viesse do nada à existência.” (Mandamento 1)

A tese central da obra é que existe, para o batizado que caiu, uma segunda penitência: a misericórdia não se esgotou no Batismo.

Na catequese, é leitura preciosa para a aula 12 (o pecado depois do Batismo), a aula 21 (o sacramento da Confissão) e a aula 27 (a Igreja como edifício de pedras vivas, onde ninguém se salva sozinho).

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

← Voltar à biblioteca