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São João Crisóstomo (c. 349-407) — o “boca de ouro” — pregou estas vinte e quatro homilias percorrendo a Carta aos Efésios versículo por versículo, no fim do século IV, diante de uma assembleia urbana de gente casada, com filhos, escravos, dívidas e vaidades. É pregação real, feita para ser ouvida de pé, com digressões, ironias e apelos diretos. Como sempre em Crisóstomo, a exegese desemboca sem escalas na vida concreta.

As primeiras homilias acompanham o hino de bênção e o desígnio eterno de Deus, a salvação pela graça, a queda do muro que separava judeus e gentios e o mistério da Igreja como Corpo de Cristo. A partir da homilia 13 vem a parte moral: a unidade, a verdade, o trabalho, o perdão, a linguagem, a sobriedade. E então, na homilia 20, sobre Efésios 5, Crisóstomo comenta o texto do matrimônio — e produz uma das páginas mais influentes de toda a tradição cristã sobre o assunto.

“Queres que tua esposa te obedeça como a Igreja obedece a Cristo? Então cuida dela com o mesmo desvelo com que Cristo cuida da Igreja.” (homilia 20)

Ele descreve a esposa como a companheira da vida, mãe dos filhos, fundamento de toda alegria — e insiste que jamais se governe uma casa pelo medo, mas pelo amor e pela mansidão; se o marido sofrer por causa dela, que não a repreenda com aspereza, pois nem isso Cristo fez com a Igreja. Na mesma homilia nasce a expressão que o Concílio Vaticano II retomaria: faze da tua casa uma pequena igreja. A homilia seguinte trata dos filhos e dos pais, e afirma que educar um filho na fé é a maior obra que um pai pode realizar.

Na catequese, é a referência viva para a aula 15 (4º mandamento): a família como igreja doméstica, primeira escola de oração, perdão e serviço.

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

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