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São Basílio, bispo de Cesareia da Capadócia, pregou estas nove homilias durante uma Quaresma, provavelmente em 378, no ano anterior à sua morte. Falava de manhã e à tarde, diante de uma assembleia formada em boa parte por trabalhadores — ele mesmo comenta que os ouvintes deixavam o serviço para vir ouvi-lo. O tema é o relato da criação, comentado versículo a versículo, de Gênesis 1,1 até a criação do homem.

O adversário de fundo é a cosmologia grega, para a qual o mundo é eterno ou foi apenas moldado a partir de uma matéria preexistente. Basílio insiste no verbo do texto sagrado: Deus criou. Logo, houve um começo absoluto; o tempo nasceu com o mundo; a matéria não é divina nem eterna; e o universo não é fruto do acaso nem de um destino cego, mas de uma vontade boa e inteligente. Contra os astrólogos, ele nega que os astros governem o destino humano — foram feitos para marcar tempos e estações. Contra os maniqueus e gnósticos, afirma que a matéria é boa.

O que encanta na obra é a observação atenta da natureza: o mar e as marés, os peixes migratórios, o ouriço que prevê o tempo, a abelha, a vinha e o olmo, os hábitos das aves. Basílio transforma cada detalhe em lição moral e em louvor. É dele um dos apelos mais citados da patrística:

“Quero que a criação te penetre de tanta admiração que, onde quer que estejas, a menor das plantas te traga a lembrança clara do Criador.” (Homília V, 2)

A obra impressionou de tal modo os contemporâneos que Santo Ambrósio a reelaborou em latim, e São Gregório de Nissa continuou a série tratando da criação do homem.

Na catequese, é a leitura ideal para a aula 7 (creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra): a criação como ato livre de amor, e o mundo como livro que fala de Deus.

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

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