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Santo Ambrósio (c. 339-397), bispo de Milão, escreveu este tratado em 381, a pedido do imperador Graciano, como continuação da sua obra Sobre a Fé. Era o momento decisivo da crise pneumatológica: depois de Niceia ter definido a divindade do Filho, um grupo — os chamados macedonianos ou “pneumatômacos” — rebaixava o Espírito Santo à condição de criatura. O Concílio de Constantinopla, reunido naquele mesmo ano de 381, acrescentaria ao Credo os artigos sobre o Espírito “Senhor que dá a vida”. A obra de Ambrósio é, portanto, contemporânea exata do artigo do Credo que rezamos todos os domingos.

São três livros. O primeiro abre com a alegoria de Gedeão e o velo (Jz 6): o velo encharcado e depois seco, com a eira molhada em seguida, é lido como figura do Espírito que se retira de Israel e se derrama sobre os gentios. Dali Ambrósio passa à tese central — o Espírito está acima de toda a criação e é verdadeiramente Deus — argumentando, entre outras coisas, que só um pecado é declarado imperdoável neste mundo e no outro: a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mt 12,32); ora, ofensa de gravidade infinita supõe dignidade divina. O segundo livro percorre as obras do Espírito na Escritura, mostrando que ele faz o que só Deus faz: cria, santifica, perdoa, ressuscita. O terceiro trata da sua missão, da unção de Cristo e da unidade de operação das três Pessoas.

Ambrósio serve-se abertamente dos gregos — Basílio, Atanásio e Dídimo, o Cego —, e São Jerônimo chegou a censurá-lo por isso; o resultado, porém, foi levar ao Ocidente latino a melhor teologia oriental sobre o Espírito.

Na catequese, é a referência para a aula 10 (Creio IV — Creio no Espírito Santo), sobretudo para responder à ideia difusa de que o Espírito seria uma “força” e não uma Pessoa divina.

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

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