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Agostinho começou o De Trinitate por volta de 399 e só o concluiu perto de 420. Não foi pressa de polêmica: diferentemente de quase tudo o que escreveu, esta obra não responde a um adversário imediato, mas ao desejo de compreender aquilo que se crê. O trabalho foi interrompido quando cópias inacabadas lhe foram subtraídas e postas a circular — episódio que o desgostou profundamente e que ele mesmo relata na carta que abre o tratado, antes de decidir retomar e terminar os quinze livros.

A obra tem duas metades. Os livros I a VII são bíblicos e dogmáticos: Agostinho percorre a Escritura para mostrar que Pai, Filho e Espírito Santo são um só Deus, iguais em substância; explica por que o Filho, sendo igual ao Pai, pode dizer que o Pai é maior (fala segundo a forma de servo); e forja a linguagem latina da fé, distinguindo o que se diz de Deus segundo a substância e o que se diz segundo a relação. Os livros VIII a XV fazem o caminho inverso: partem do interior do ser humano, criado à imagem de Deus, buscando ali vestígios do mistério. O primeiro deles é o amor — aquele que ama, o que é amado e o próprio amor:

“Vês a Trindade, se vês a caridade.” (Livro VIII, cap. 8)

O vestígio mais célebre, porém, é a tríade da mente: memória, inteligência e vontade — uma só vida, uma só mente, três atos distintos. Mas Agostinho não deixa a comparação virar truque didático:

“Esta trindade da mente é imagem de Deus não porque a mente se recorda de si, se compreende e se ama, mas porque pode também recordar-se, compreender e amar aquele que a fez.” (Livro XIV, cap. 12)

Na catequese, o texto sustenta a aula 7, sobre o Deus único em três Pessoas confessado no Credo.

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

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