Sobre o Credo: Sermão aos Catecúmenos
O Credo entregue de viva voz a quem se preparava para o Batismo — curto, direto e pregado para gente como o nosso grupo.
Este texto não é um tratado: é um sermão, pregado por Agostinho em Hipona durante a Quaresma, no rito da traditio symboli — a cerimônia em que a Igreja “entregava” o Credo aos catecúmenos que seriam batizados na Vigília Pascal. Eles o receberiam de ouvido, decorariam em casa e o devolveriam recitado de memória algumas semanas depois. Por isso o tom é coloquial, cheio de repetições e imagens, feito para ser guardado na cabeça de gente simples.
Agostinho abre entregando o Símbolo como uma arma:
“Recebei, meus filhos, a Regra da Fé, que se chama Símbolo. E, quando a tiverdes recebido, escrevei-a no coração e repeti-a todos os dias: antes de dormir, antes de sair, armai-vos com o vosso Credo.” (n. 1)
E logo explica que aquelas palavras não são informação sobre Deus, mas uma mudança de estado: só se começa a ter Deus por Pai quando se nasce da Igreja como Mãe. Daí ele percorre os artigos — o Pai onipotente, o Filho eterno e encarnado, a paixão sob Pôncio Pilatos, a ressurreição, a ascensão, o juízo, o Espírito Santo, a Igreja — sempre respondendo às objeções que os catecúmenos ouviriam na rua, de pagãos e de maniqueus.
Nos números finais, sobre a remissão dos pecados, está a passagem mais consoladora: nenhum pecado é grande demais para o perdão de Deus. Agostinho lembra que houve quem matasse Cristo — não há crime pior — e que muitos desses mesmos depois creram, foram batizados e beberam o sangue daquele que mataram; e foram perdoados. Termina na ressurreição da carne: o corpo tem esperança porque a Cabeça já ressuscitou.
Na catequese, é leitura perfeita para a aula 11, sobre a Igreja: mostra o Credo não como lista de doutrinas, mas como nascimento numa família que tem Deus por Pai e a Igreja por Mãe.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).