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Por volta do ano 421, um leigo cristão chamado Lourenço — irmão do tribuno Dulcício — pediu a Santo Agostinho um enchiridion, isto é, um “manual de bolso”: um resumo do essencial da fé cristã na forma mais breve possível. Agostinho, então com cerca de 67 anos, atendeu. É obra de plena maturidade: vem depois de A Trindade e da maior parte de A Cidade de Deus, e no auge da controvérsia pelagiana, cujo centro exato era a doutrina da graça.

A resposta de Agostinho é uma pequena obra-prima de arquitetura catequética. Ele diz a Lourenço que o culto devido a Deus se resume a três palavras — fé, esperança e caridade — e organiza tudo em torno delas: sob a , comenta o Símbolo dos Apóstolos artigo por artigo (criação, Trindade, encarnação, Igreja, perdão dos pecados, ressurreição da carne), refutando de passagem os erros correntes; sob a esperança, explica o Pai-Nosso como modelo de toda oração cristã; sob a caridade, mostra que é ela quem dá forma a tudo o mais.

No meio do caminho está a explicação agostiniana clássica do mal, que o Catecismo da Igreja Católica retoma quase palavra por palavra (CIC 311):

“Deus todo-poderoso… por ser sumamente bom, de modo algum permitiria que existisse algum mal em suas obras, se não fosse tão poderoso e bom a ponto de fazer sair o bem do próprio mal.” (cap. 11)

No mesmo capítulo, Agostinho define: o mal não é uma coisa, é ausência de bem — como a doença e a ferida são ausência de saúde num corpo que existe.

Na catequese, o Enquirídio serve à aula 11 (os artigos finais do Credo), à aula 12 (o que é o pecado, e por que o mal não tem substância própria) e à aula 24 (novíssimos: juízo, purificação e vida eterna).

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

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