Sobre o Bem do Matrimônio
O tratado em que Agostinho fixa os três bens do casamento: os filhos, a fidelidade e o vínculo indissolúvel.
Escrito por volta do ano 401, quando Agostinho já era bispo de Hipona, este tratado nasceu de uma controvérsia concreta. O monge Joviniano sustentava em Roma que casamento e virgindade tinham exatamente o mesmo mérito; São Jerônimo o refutou com tanta veemência que muitos passaram a ouvir, nas suas palavras, um desprezo pelo próprio matrimônio. Agostinho escreve então para segurar as duas pontas: defender a superioridade da virgindade consagrada sem ceder um milímetro na afirmação de que o casamento é bom — bom em si, criado por Deus, e não mero remédio tolerado para a fraqueza humana.
O ponto de partida é antropológico: o ser humano é social por natureza, e a união do homem e da mulher é a primeira e mais elementar forma dessa sociedade.
“O primeiro laço natural da sociedade humana é o homem e a mulher.” (cap. 1)
A partir daí, Agostinho examina a fidelidade conjugal, a geração e a educação dos filhos, a continência dentro do casamento, as segundas núpcias e o caso dos patriarcas do Antigo Testamento. A obra culmina na fórmula que a teologia católica repetiria por quinze séculos, e que o Catecismo ainda ecoa ao falar dos fins e das propriedades do matrimônio:
“Este bem é tríplice: a fidelidade, a prole, o sacramento.” (cap. 24, n. 32)
Fidelidade, porque os esposos se pertencem; prole, porque a vida é acolhida e educada na fé; sacramento, porque o vínculo é indissolúvel e significa a união de Cristo com a Igreja.
Na catequese, o texto sustenta a aula 17 (o sexto mandamento e a dignidade do amor conjugal) e a aula 20 (matrimônio e ordem como sacramentos a serviço da comunhão).
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).