Sobre a Vida de São Martinho
A biografia que popularizou São Martinho de Tours: o soldado catecúmeno que partiu o manto e descobriu Cristo no pobre.
Sulpício Severo era um advogado rico da Aquitânia que, depois da morte da esposa, largou tudo pela vida ascética. Por volta de 397 escreveu esta pequena biografia de Martinho de Tours — publicada quando o santo ainda vivia, ou pouco depois de sua morte —, e ela se tornou um dos livros mais lidos do Ocidente cristão, modelo de toda a hagiografia posterior.
A obra acompanha Martinho da juventude como soldado do exército romano, filho de pais pagãos, até o episcopado em Tours e a fundação do mosteiro de Marmoutier. O centro do relato é a cena do inverno em Amiens: encontrando à porta da cidade um pobre seminu que ninguém socorria, Martinho — que era apenas catecúmeno, ainda não batizado — cortou o próprio manto militar em duas partes com a espada e deu metade ao mendigo. Na noite seguinte teve uma visão de Cristo vestido com aquele pedaço de manto, dizendo aos anjos:
“Martinho, ainda catecúmeno, cobriu-me com esta veste.” (cap. 3)
Pouco depois, diante do imperador Juliano, Martinho recusou continuar no exército com a frase que ficou célebre:
“Sou soldado de Cristo; não me é lícito lutar.” (cap. 4)
Seguem-se os capítulos sobre seu ministério: a destruição de templos pagãos, curas, exorcismos, ressurreições, e sobretudo o retrato de um bispo pobre, humilde, sentado num banco tosco, que intercede pelos condenados e não teme os poderosos. Sulpício insiste que escreve não para elogiar um amigo, mas para que o leitor imite o que lê.
Na catequese, a obra ilumina a aula 1: mostra o que a fé faz com uma pessoa concreta — e que um catecúmeno, antes mesmo do Batismo, já pode encontrar Cristo no pobre.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).