Otávio
Um diálogo elegante na praia de Óstia em que um pagão culto acusa os cristãos, ouve a resposta e se converte ali mesmo.
Marco Minúcio Félix era advogado em Roma, provavelmente de origem norte-africana, e escreveu esta apologia entre o fim do século II e o início do III — a primeira obra apologética cristã em língua latina de que temos notícia, escrita num latim de qualidade ciceroniana. É difícil datá-la com precisão porque há passagens muito próximas do Apologeticum de Tertuliano, e os estudiosos ainda discutem quem leu quem.
A forma é um diálogo à maneira dos clássicos. Três amigos caminham pela praia de Óstia num dia de folga; o pagão Cecílio Natal saúda uma estátua ao passar, e o cristão Otávio Januário o repreende. Sentados sobre as pedras do quebra-mar, decidem discutir a sério, com Minúcio como juiz. Cecílio expõe o caso pagão com força: o mundo é obscuro demais para que se possa conhecer os deuses, a religião dos antepassados sustentou a grandeza de Roma, e os cristãos são gente ignorante que se reúne às escondidas, adora a cabeça de um asno, come crianças e pratica incesto nos banquetes.
Otávio responde ponto por ponto: demonstra pela ordem do cosmo e pela postura ereta do homem que há um só Deus, ridiculariza a origem humana dos ídolos, mostra que as acusações infames são calúnias — e que os próprios pagãos as praticavam —, defende a ressurreição e explica por que os cristãos não temem a pobreza nem a morte. Duas frases resumem seu tom:
“Que imagem faria eu de Deus, se o próprio homem, bem considerado, é imagem de Deus?” (cap. 32)
“Não falamos grandes coisas: nós as vivemos.” (cap. 38)
O diálogo termina sem vencedor proclamado: Cecílio simplesmente declara-se vencido e pede para ser instruído na fé.
Na catequese, serve à aula 2 (o primeiro anúncio diante de objeções reais e de quem não crê) e à aula 13 (o Deus único e a recusa dos ídolos).
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).