Sermões
Noventa e seis pregações que percorrem o ano litúrgico inteiro e ensinam a viver cada festa como participação no mistério de Cristo.
De São Leão Magno, papa entre 440 e 461, conservaram-se noventa e seis sermões — a mais antiga coleção completa de homilias papais que possuímos. Foram pregados em Roma, diante do povo, em latim de rara concisão e beleza, e acompanham o ciclo inteiro do ano litúrgico: Natal e Epifania, Quaresma, Paixão, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, os jejuns das quatro estações do ano, além das festas de São Pedro e São Paulo, do aniversário de sua própria ordenação e de pregações sobre a esmola e a caridade.
Não são discursos abstratos. Leão prega sempre a mesma tese com formas novas: o que Cristo fez uma vez na carne, a Igreja recebe hoje na liturgia, e por isso cada festa não é lembrança de um passado, mas participação real no mistério. Duas frases suas atravessaram os séculos. A primeira, do primeiro sermão de Natal, é lida até hoje no Ofício das Leituras do dia 25 de dezembro:
“Reconhece, ó cristão, a tua dignidade, e, tendo sido feito participante da natureza divina, não queiras voltar, por uma conduta degenerada, à antiga baixeza.” (Sermão 21, 3 — Natal I)
A segunda condensa toda a teologia sacramental latina:
“Aquilo que era visível em nosso Redentor passou aos sacramentos.” (Sermão 74, 2 — Ascensão II)
Nos sermões quaresmais, Leão une jejum, oração e esmola numa só disciplina, e insiste que ninguém se converte sozinho: a Quaresma é obra do corpo inteiro da Igreja. Nos sermões pascais, apresenta o batizado como quem morre e ressuscita com Cristo. Nos de Natal, defende contra Êutiques e Nestório a mesma fé que expôs no Tomo a Flaviano.
Na catequese, os sermões são o melhor apoio para a aula 23 (o ano litúrgico): mostram, com textos do século V, por que a Igreja distribui o mistério de Cristo ao longo do ano e o que se espera do cristão em cada tempo.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).