A Virgindade Perpétua da Bem-Aventurada Maria
A resposta clássica (383) às objeções sobre os "irmãos de Jesus" e o "até que" de Mateus 1,25 — as mesmas que se ouvem hoje.
Por volta de 383, um leigo romano chamado Helvídio publicou um livro sustentando que Maria fora virgem apenas até o nascimento de Jesus e que depois teria tido outros filhos com José — os “irmãos do Senhor” dos Evangelhos. O objetivo de fundo era igualar o matrimônio à virgindade consagrada. Os cristãos de Roma pediram uma resposta, e São Jerônimo, então secretário do papa Dâmaso, escreveu este opúsculo, o Adversus Helvidium.
Jerônimo defende três teses. Primeira: José é chamado “esposo” de Maria como Jesus é chamado “filho de José” — pela função e pela reputação, sem que isso indique consumação. Segunda: os “irmãos” de Jesus são parentes próximos, primos, segundo o uso hebraico de ah que a Escritura aplica a Ló e Abraão ou a Labão e Jacó; e ele mostra, comparando os Evangelhos, que Tiago e José, ditos “irmãos do Senhor”, são filhos de outra Maria, presente ao pé da cruz. Terceira: a virgindade consagrada é estado mais alto, sem que o matrimônio deixe de ser bom.
O núcleo do argumento é filológico. Jerônimo demonstra que “até que” (Mt 1,25) não afirma nada sobre o depois: quando o salmo diz “até que ele tenha piedade de nós”, ou quando São Paulo diz que Cristo deve reinar “até” pôr os inimigos sob seus pés, ninguém conclui que aquilo cesse em seguida.
O texto culmina numa frase muito citada:
“Ouso dizer ainda mais: o próprio José foi virgem por causa de Maria, para que de um matrimônio virginal nascesse um filho virginal.” (cap. 21)
Na catequese, é a leitura de apoio da aula 25 (dogmas marianos): responde, com a Escritura na mão, exatamente às objeções que os alunos costumam trazer de conversas com evangélicos.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).