Acessar a obra ↗

São Jerônimo (c. 347-420) foi o maior estudioso da Bíblia da Antiguidade cristã: aprendeu hebraico já adulto para traduzir o Antigo Testamento a partir do original e produziu a Vulgata, a versão latina que a Igreja usaria por mil e quinhentos anos. Suas mais de cem cartas, escritas sobretudo de Belém, são ao mesmo tempo tratados de exegese, direção espiritual e crônica áspera de seu tempo. A coleção do New Advent traz o conjunto; nesta biblioteca o destaque é a Carta 53, a Paulino de Nola, de 394.

Paulino, aristocrata recém-convertido, pedira um plano de estudos. Jerônimo responde primeiro com um argumento de bom senso: em toda arte e ofício ninguém se atreve a ensinar sem aprender; só a interpretação das Escrituras todos julgam dominar sem estudo — a velha tagarela, o ancião caduco, o sofista palavroso, todos rasgam o texto e o ensinam antes de tê-lo aprendido. Em seguida percorre os dois Testamentos, livro por livro, resumindo o conteúdo e a lição espiritual de cada um. Sobre o último deles:

“O Apocalipse de João tem tantos mistérios quantas palavras.” (Carta 53, 9)

A carta termina exortando Paulino a desapegar-se de seus bens e entregar-se inteiramente a Deus e ao estudo sagrado. Tão célebre se tornou que os primeiros impressores a colocaram como prefácio da Bíblia de Gutenberg.

O princípio que resume toda a vida de Jerônimo, citado pelo Concílio Vaticano II na Dei Verbum 25, está no prólogo de seu Comentário a Isaías:

“Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo.”

Na catequese, a Carta 53 é a leitura natural da aula 5 (Sagrada Escritura): serve para mostrar que a Bíblia se lê inteira, com método, dentro da Igreja — e não aos pedaços.

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

← Voltar à biblioteca