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Uma das sete cartas escritas por Inácio de Antioquia a caminho do martírio, por volta do ano 107, endereçada à comunidade de Trales, na Ásia Menor. O alvo é o docetismo — a primeira grande heresia cristológica, que sustentava que Cristo não tinha corpo real: teria apenas parecido (do grego dokein, parecer) nascer, sofrer e morrer. A objeção não era acadêmica. Se Cristo não sofreu de verdade, então a redenção é encenação, e os mártires estão morrendo por uma ficção — e Inácio, algemado a caminho das feras, tinha um interesse muito pessoal nessa questão.

A resposta é uma martelada de advérbios, repetindo a mesma palavra para não deixar margem:

“Ele foi verdadeiramente perseguido sob Pôncio Pilatos, verdadeiramente crucificado e morto […] e verdadeiramente ressuscitou dentre os mortos.” (cap. 9)

E, no capítulo seguinte, tira a consequência com uma ironia amarga: se, como dizem alguns, ele sofreu apenas na aparência, então por que estou eu acorrentado? Por que anseio combater com as feras? Nesse caso, morro por nada.

A carta contém também uma das mais antigas descrições da estrutura da Igreja: que todos respeitem os diáconos como a Jesus Cristo, o bispo como imagem do Pai e os presbíteros como o conselho de Deus e o colégio dos apóstolos (cap. 3). E adverte, com a imagem do veneno misturado ao mel, contra a heresia que se apresenta com doçura (cap. 6).

Na catequese, é leitura de aprofundamento para as aulas sobre a Encarnação e sobre a Igreja: prova, num documento do início do século II, que a fé na humanidade real de Cristo e a estrutura hierárquica da Igreja não são invenções posteriores.

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

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