Epístola aos Filadelfienses
Uma só Eucaristia, um só altar, um só bispo: a carta que liga unidade da Igreja e unidade eucarística.
Escrita em Trôade, por volta de 107, no mesmo percurso que levava Inácio de Antioquia à morte em Roma. A comunidade de Filadélfia, na Ásia Menor, enfrentava divisões: havia quem quisesse celebrar por conta própria, à margem do bispo, e havia um grupo que só aceitava como cristão aquilo que pudesse ser provado nos “arquivos” — as Escrituras do Antigo Testamento. Inácio responde às duas coisas.
À primeira, com a passagem que se tornou clássica na teologia da Igreja, porque amarra num único nó a unidade da comunidade e a unidade do altar:
“Procurai, portanto, participar de uma só Eucaristia; pois uma só é a carne de nosso Senhor Jesus Cristo, e um só o cálice para a união com o seu sangue; um só o altar, como um só é o bispo, com o presbitério e os diáconos.” (cap. 4)
Não há, para Inácio, comunhão com Cristo que não passe pela comunhão visível com a Igreja concreta — a assembleia reunida em torno do seu bispo. É por isso que insiste, no capítulo 7, em que nada se faça sem o bispo, e afirma ter gritado isso em voz alta no meio da assembleia, por moção do Espírito, sem saber de antemão das divisões que existiam ali.
À segunda, com uma resposta que é quase um grito de liberdade cristã: quando lhe disseram que não creriam no Evangelho se não o encontrassem nos arquivos, ele respondeu que os seus arquivos são Jesus Cristo — a sua cruz, a sua morte e a sua ressurreição (cap. 8). O Antigo Testamento é lido a partir de Cristo, não Cristo a partir de um arquivo.
Na catequese, é leitura de aprofundamento para as aulas 19 e 22, sobre a Eucaristia e a Missa, e para a aula 27: nenhuma delas a cita diretamente, mas é o texto mais curto e mais forte para mostrar por que não existe cristianismo por conta própria.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).