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Hilário tornou-se bispo de Poitiers por volta de 353, quando o arianismo — que negava a plena divindade do Filho — dominava a corte imperial. Por recusar-se a condenar Santo Atanásio e a assinar fórmulas ambíguas, foi banido em 356 pelo imperador Constâncio II para a Frígia, na Ásia Menor. O exílio, que devia silenciá-lo, produziu o contrário: ali aprendeu grego, leu os Padres orientais e escreveu os doze livros deste tratado, o primeiro estudo latino de fôlego sobre a Trindade. Para isso teve de forjar vocabulário novo em latim, razão pela qual é chamado “o Atanásio do Ocidente” e foi proclamado Doutor da Igreja.

O livro I abre com uma página autobiográfica: a busca do sentido da vida entre as filosofias, a insatisfação com os deuses pagãos e o choque diante do nome revelado a Moisés na sarça, “Eu sou aquele que sou”. Os livros II e III expõem a fé batismal no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Do IV ao XII, Hilário enfrenta um a um os textos que os arianos usavam — “o Pai é maior do que eu”, “o Filho não sabe o dia nem a hora”, a Sabedoria “criada” de Provérbios 8 — mostrando que falam da encarnação e da condição de servo, não da natureza divina.

Ele sabe o risco de falar do inefável, e diz por que o faz:

“Os erros dos hereges e dos blasfemos obrigam-nos a tratar de coisas ilícitas, a escalar alturas perigosas, a dizer palavras indizíveis, a entrar em terreno proibido.” (Livro II, 2)

E fixa um princípio de método que atravessa toda a teologia:

“Não é a realidade que está sujeita à linguagem, mas a linguagem à realidade.” (Livro IV, 14)

Na catequese, nenhuma aula cita esta obra diretamente: ela fica como leitura de aprofundamento para quem quiser ir além nas aulas sobre a Trindade e a divindade de Cristo.

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

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