A Ressurreição dos Mortos
O primeiro tratado cristão inteiramente dedicado à ressurreição da carne: por que Deus pode, quer e deve ressuscitar o corpo.
Escrito pelo filósofo ateniense Atenágoras no fim do século II, provavelmente logo depois da sua Defesa dos Cristãos, este é o primeiro tratado cristão inteiramente consagrado à ressurreição da carne. O adversário não é o judeu nem o pagão devoto, mas o grego culto, para quem a alma imortal libertar-se do corpo era a boa notícia — e a ideia de recuperar a carne, um retrocesso grosseiro. Atenágoras argumenta como filósofo, sem citar quase nada da Escritura: raciocina a partir da natureza das coisas e do que se deve pensar de Deus.
A obra tem duas metades. A primeira responde às objeções: é impossível? é indigno de Deus? Atenágoras mostra que quem nega o poder de Deus está comparando o Criador a um oleiro ou a um carpinteiro, que de fato não conseguem refazer o que quebraram — insulto disfarçado de argumento. Quem fez o corpo do nada pode refazê-lo do pó.
“Ele, quando eles tiverem sido dissolvidos, de qualquer maneira que isso ocorra, os levantará novamente com igual facilidade.” (cap. 3)
A segunda metade é positiva e apresenta três provas: pela causa da criação do homem, que Deus não fez em vão; pela natureza humana, que não é alma sozinha nem corpo sozinho, mas o composto — e por isso o juízo, para ser justo, tem de alcançar aquele mesmo que agiu, com corpo e alma; e pelo fim último do homem, que é a contemplação de Deus numa vida sem fim. Sem ressurreição, observa ele, o homem estaria em pior situação que os animais.
“Alguns chamam o sono de irmão da morte… porque os que estão mortos e os que dormem estão sujeitos a estados semelhantes.” (cap. 16)
Na catequese, é apoio excelente para a aula 24 (novíssimos): responde com razões — e não só com citações — a quem acha que “a alma vai para o céu” basta como fé cristã.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).