Uma Defesa dos Cristãos (Legatio)
Apologia dirigida a Marco Aurélio em 177: refuta as acusações de ateísmo, canibalismo e incesto — e condena o aborto e a arena.
Atenágoras era um filósofo ateniense convertido ao cristianismo. Por volta do ano 177 endereçou esta Legatio pro Christianis aos imperadores Marco Aurélio e seu filho Cômodo — o mesmo Marco Aurélio dos Pensamentos estoicos, sob cujo governo houve perseguições sangrentas, como a de Lyon. O tom não é de súplica lacrimosa: é de argumentação serena e culta, de quem fala a filósofos na sua própria linguagem.
O pedido inicial é simples e jurídico: que os cristãos não sejam condenados por causa de um nome, mas apenas por crimes provados. Em seguida, Atenágoras enfrenta uma a uma as três acusações correntes. Ateísmo: os cristãos não negam Deus, negam os ídolos — e o autor expõe a fé em um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, num dos textos trinitários mais antigos que possuímos (cap. 10). Banquetes tiestianos, isto é, canibalismo: é absurdo acusar de comer homens quem nem sequer suporta ver um homem morrer. Uniões edipianas, isto é, incesto: os cristãos são notoriamente castos, muitos permanecem virgens e não admitem segundo casamento.
É ao refutar a acusação de assassinato que Atenágoras escreve as linhas mais citadas da obra:
“Dizemos que as mulheres que usam drogas para provocar o aborto cometem homicídio, e terão de prestar contas a Deus do aborto.” (cap. 35)
No mesmo capítulo ele explica que os cristãos consideram o próprio feto no ventre um ser criado e objeto do cuidado de Deus — e por isso não frequentam os combates de gladiadores nem assistem a execuções, pois ver matar e matar estão a um passo um do outro.
Na catequese, é documento decisivo para a aula 16 (5º mandamento): mostra que a defesa da vida desde a concepção não é posição recente da Igreja, mas convicção atestada no século II.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).