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Atanásio escreveu este tratado ainda jovem, por volta de 318, antes mesmo da crise ariana que o tornaria célebre e o levaria a cinco exílios. É a segunda parte de uma obra dupla: Contra os Pagãos mostra que os ídolos são vazios e que a razão pode chegar ao Deus verdadeiro; Sobre a Encarnação responde à objeção seguinte, a mais difícil para gregos e judeus — como Deus pôde assumir um corpo humano e morrer numa cruz.

O argumento é de uma lógica límpida. Deus criou o homem à sua imagem e para a incorruptibilidade; pelo pecado, o homem voltou-se para o nada e começou a se dissolver na corrupção e na morte. Deus se via então diante de um impasse: não podia simplesmente revogar sua palavra sobre a morte, nem podia deixar perecer a obra de suas mãos. A solução foi o próprio Verbo assumir um corpo mortal e entregá-lo à morte em lugar de todos, esgotando a dívida por dentro. Atanásio compara a imagem apagada num quadro: quando o retrato se estraga, é preciso que o próprio modelo volte a se apresentar para que a pintura seja refeita (cap. 14). Na segunda metade, ele refuta as objeções judaicas com as profecias e as pagãs com um argumento de fato: os ídolos calaram, os mártires não temem a morte, o mundo mudou.

“Ele se fez homem para que nós fôssemos divinizados.” (cap. 54, 3)

“As obras do Salvador realizadas por sua Encarnação são tais e tantas que, se alguém quisesse enumerá-las todas, seria como quem contempla a extensão do mar e tenta contar suas ondas.” (cap. 54)

Na catequese, sustenta a aula 8 (por que o Filho de Deus se fez carne) e a aula 25 (a vitória sobre a morte e a nossa participação na vida divina).

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

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