Contra os Pagãos
A anatomia da idolatria: por que a alma feita para ver Deus acaba adorando coisas — e como o mundo ainda fala do Criador.
Contra os Pagãos é a primeira metade de uma obra dupla — a segunda é Sobre a Encarnação do Verbo —, escrita por Santo Atanásio de Alexandria ainda jovem, provavelmente entre 318 e 335, antes ou nos primeiros anos do combate contra o arianismo que marcaria sua vida. O propósito é apologético: mostrar que a fé cristã é razoável e digna, e que o obstáculo a ela não é intelectual, mas moral — a mente precisa ser limpa do erro antes de reconhecer a verdade.
O tratado começa pela raiz. Deus criou o homem na graça e no conhecimento dele; o mal não é uma substância, mas o desvio da alma que deixa de contemplar o Criador e se absorve nas coisas materiais. Dessa mesma raiz nasce a idolatria: a alma, esquecida de Deus e presa ao que é corpóreo, transforma em deus aquilo que tem diante dos olhos.
“Ela foi feita para ver Deus e ser iluminada por Ele; mas, por vontade própria, em lugar de Deus buscou as coisas corruptíveis e as trevas.” (n. 7)
“Escondendo, sob as complicações dos desejos do corpo, o espelho que existe nela, e pelo qual apenas tinha o poder de ver a Imagem do Pai, já não vê o que uma alma deveria contemplar.” (n. 8)
Atanásio percorre então as formas concretas de idolatria — culto dos astros, dos elementos, de criaturas fabulosas, das paixões personificadas e de homens vivos ou mortos divinizados — e mostra a origem humana e datável dos deuses gregos. A parte final é positiva: pela alma racional e pela ordem admirável do cosmos, o homem pode reencontrar o Verbo pelo qual tudo foi feito.
Na catequese, é a leitura ideal para a aula 13 (o primeiro mandamento): ajuda a mostrar que a idolatria não acabou com as estátuas antigas — mudou de nome, não de mecanismo.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).