Sobre o Arrependimento
Contra os rigoristas que negavam perdão aos pecados graves: a Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar tudo, e Deus prefere a misericórdia.
Ambrósio, bispo de Milão, escreveu estes dois livros por volta de 384-394 contra os novacianos — a seita rigorista nascida no século III que, em nome da pureza da Igreja, recusava a reconciliação a quem tivesse pecado gravemente depois do Batismo, sobretudo aos que apostataram na perseguição. A questão não era acadêmica: havia comunidades inteiras vivendo sem esperança de perdão.
O Livro I começa pela mansidão, virtude que faltava aos adversários, e demonstra que Cristo entregou à Igreja o poder de perdoar todos os pecados, sem exceção — quem restringe esse poder não honra a Deus, mas amputa o mandato que Ele mesmo confiou aos apóstolos. Ambrósio insiste que Deus se inclina mais à misericórdia que à severidade, e responde uma a uma às passagens bíblicas que os novacianos usavam para provar o contrário. O Livro II trata do lado de quem peca: a urgência de não adiar a conversão, a necessidade da confissão dos pecados, o valor da penitência pública praticada na Igreja antiga, e a refutação da leitura novaciana de Hebreus 6, 4-6 e do pecado contra o Espírito Santo.
O exemplo decisivo é São Pedro, que negou o Senhor três vezes e mesmo assim foi restituído:
“Encontro que Pedro chorou; não encontro o que ele disse. Leio suas lágrimas, não leio sua satisfação. As lágrimas lavam o pecado que a voz tem vergonha de confessar.” (Livro II, cap. 10)
Vale lembrar que foi este mesmo bispo quem impôs penitência pública ao imperador Teodósio depois do massacre de Tessalônica: quando fala de arrependimento, Ambrósio fala de algo que exigiu na prática, do mais poderoso dos homens.
Na catequese, a obra apoia a aula 12, sobre o pecado e suas consequências, e a aula 21, sobre o sacramento da Confissão — especialmente para quem chega achando que seu caso não tem perdão.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).