Acessar a obra ↗

Agostinho começou esta obra em 397, recém-feito bispo de Hipona, e só a concluiu quase trinta anos depois, em 426, já velho. Ela nasceu de uma necessidade prática: formar clérigos e catequistas capazes de ler bem a Bíblia e de pregá-la sem deformá-la. É, na prática, o primeiro manual cristão de interpretação bíblica e de pregação, e continuou sendo usado como tal por mais de mil anos.

São quatro livros. O primeiro estabelece o fundamento teológico: há coisas das quais se deve fruir — só Deus — e coisas que se devem usar como caminho até Ele; e há sinais, entre os quais a linguagem e a própria Escritura. O segundo trata dos sinais desconhecidos: o cânon dos livros sagrados e as ferramentas necessárias ao intérprete, incluindo o estudo do hebraico e do grego, da história e das ciências — Agostinho compara essa apropriação do saber pagão ao ouro que os hebreus levaram do Egito. O terceiro enfrenta os sinais ambíguos e ensina a distinguir o sentido literal do figurado, apoiando-se sempre na regra da fé. O quarto, escrito no fim da vida, é um tratado de retórica cristã: como ensinar, agradar e mover, com verdade e humildade.

O critério que atravessa tudo está no Livro I:

“Quem pensa ter entendido as divinas Escrituras, ou alguma parte delas, mas com essa compreensão não edifica o duplo amor a Deus e ao próximo, ainda não as entendeu.” (Livro I, cap. 36)

Ou seja: uma leitura tecnicamente correta que não gere caridade errou o alvo; e uma leitura que gera caridade, mesmo hesitante, já está no caminho certo.

Na catequese, é o apoio direto da aula 5, sobre a Sagrada Escritura: como abrir a Bíblia sem cair no literalismo nem no delírio alegórico.

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

← Voltar à biblioteca