Sobre o Cuidado com os Mortos
Enterrar junto ao túmulo de um santo ajuda o falecido? Agostinho responde a Paulino de Nola e ensina o que realmente socorre os mortos.
Por volta de 421, uma viúva africana chamada Flora pediu a São Paulino de Nola que sepultasse seu filho, morto na Itália, junto ao túmulo de São Félix. Paulino atendeu, mas ficou com a dúvida e escreveu a Agostinho: enterrar alguém perto dos restos de um mártir traz de fato algum benefício à alma do falecido? A resposta de Agostinho é este pequeno tratado, um dos mais equilibrados que escreveu.
Ele começa desmontando a superstição sem ferir a piedade. O lugar da sepultura não decide a sorte eterna de ninguém; e nem a falta de sepultura pode prejudicar quem morreu na graça — pensemos nos mártires cujos corpos foram lançados às feras. As exéquias, portanto, valem sobretudo para quem fica:
“Todas essas coisas — o cuidado do funeral, a colocação no sepulcro, a pompa das exéquias — são mais consolo para os vivos do que auxílio para os mortos.” (n. 4)
Isso não autoriza desprezo pelo corpo. Agostinho lembra que o corpo não é um adorno externo, mas parte da própria pessoa, e que os justos do Antigo Testamento tiveram seus funerais cuidados com piedade (n. 5). O que realmente socorre o falecido é outra coisa:
“Aos mortos de quem cuidamos, nada chega senão aquilo que solenemente suplicamos pelos sacrifícios do altar, ou pelas orações, ou pelas esmolas.” (n. 22)
O tratado se fecha com uma discussão fascinante sobre aparições e sonhos com os mortos, em que Agostinho recusa explicações fáceis e conclui: o proveito de sepultar junto aos santos é indireto — quem visita aquele lugar reza, e a oração alcança a alma.
Na catequese, o texto serve à aula 24, sobre a ressurreição da carne, o juízo e o sentido da oração pelos falecidos.
O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).