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Em 410 os godos de Alarico saquearam Roma, e o mundo antigo levou um susto do qual não se recuperaria. Muitos pagãos culparam os cristãos: a cidade eterna teria caído por ter abandonado os antigos deuses. Agostinho, bispo de Hipona, respondeu com esta obra monumental, escrita aos poucos entre 413 e 426, em vinte e dois livros — o maior projeto de sua vida depois das Confissões.

Os dez primeiros livros desmontam a acusação: mostram que Roma conheceu desgraças piores enquanto ainda cultuava seus deuses, e que nem a religião pagã nem a filosofia dos platônicos sabem oferecer felicidade verdadeira. Os doze seguintes constroem a tese positiva: a história inteira é o entrelaçamento de duas cidades, misturadas neste mundo e separadas só no juízo final. Não são o Estado e a Igreja, mas duas sociedades espirituais definidas por aquilo que cada uma ama:

“Dois amores fizeram duas cidades: o amor de si até o desprezo de Deus fez a cidade terrena; o amor de Deus até o desprezo de si fez a cidade celeste. Aquela gloria-se em si mesma, esta gloria-se no Senhor.” (Livro XIV, cap. 28)

Os livros finais são os mais úteis para nós: o XIX discute a paz como bem supremo e a vida social do cristão; o XX, o juízo final; o XXI, a pena eterna; o XXII, a ressurreição da carne e a felicidade dos santos. A obra inteira termina com a descrição do sábado sem fim:

“Ali repousaremos e veremos, veremos e amaremos, amaremos e louvaremos. Eis o que haverá no fim, sem fim.” (Livro XXII, cap. 30)

Na catequese, os livros XIX-XXII são a leitura de fundo da aula 24, sobre os Novíssimos: morte, juízo, inferno e paraíso tratados com seriedade e esperança.

O link abre o texto já traduzido automaticamente para o português (original em inglês, New Advent).

Citada nas aulas

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